quinta-feira, 25 de maio de 2017

28ª Caravana do Movimento de Luta pela Moradia - Pastoral Leste II


Todos os anos o Movimento de Luta pela Moradia, faz uma viagem a Brasília-DF, para reivindicar, cobrar posições, buscar soluções, acompanhar de perto as decisões, comparecer a agendas pré-marcadas pelo dirigentes do Movimento, e, esta caravana é composta basicamente por seus dirigentes, como o Dalcides Neto e Padre Ticão, coordenadores de comunidades, membros do Movimento, e ativistas.

Durante o ano, algumas pautas são confeccionadas, para terem suas prioridades atendidas pelos diversos Ministérios Federais, inclusive, pautas que são direcionadas, não necessariamente para o Ministério das Cidades, pois, a luta do Movimento, vai muito além de moradia, englobando saúde, educação, transporte, segurança, cultura, etc.

Neste ano de 2017, inúmeras foram as dificuldades enfrentadas para a realização desta viagem em caravana, devido as diversas crises em curso em nosso país, mas, decidiu-se que não seria o momento de deixar de realizar esta caravana, e, desta forma, no dia 20 de maio de 2017, um sábado, o ônibus com destino a Brasília-DF partiu as 16 horas de São Paulo-SP, com destino à capital da República no Distrito Federal.

Lá chegando, e, iniciados os trabalhos, muitas foram as dificuldades de realizar as reuniões agendadas, porém, de forma alguma os representantes do povo, deixaram de tentar realizar suas tarefas, e, com todas as dificuldades, inclusive o bloqueio de acesso às repartições públicas, Guarda nacional nas ruas e nos acessos, greve de ônibus urbano e outras dificuldades, algumas agendas foram cumpridas, trazendo algumas notícias para os inscritos nos projetos do Movimento de luta pela Moradia - Pastoral Leste II.

Os integrantes desta 28ª caravana, chegaram em São Paulo-SP, no bairro de São Miguel Paulista, zona leste, exatamente como planejado, as 06:00 horas da manhã do dia 24 de maio de 2017, uma quarta feira, onde foram recebidos com alegria.

























Você poderá ver também:


Vídeos da 28ª Caravana do Movimento de Luta pela Moradia Leste II a Brasília-DF


Outras fotos da 28ª Caravana do Movimento de Luta pela Moradia Leste II a Brasília-DF no link a seguir:

https://goo.gl/photos/7pdHLeA4XBbCnT939


"Jamais deixaremos de lutar para conquistar a plena cidadania"...

Haja o que houver!!!


... Quem mais participa, mais conquista! (Padre Ticão).


quarta-feira, 24 de maio de 2017

A Mulher no Movimento



Não faz muito tempo, a fragilidade do sexo feminino estava constantemente na pauta do dia, sendo discutida pelos meios de comunicação e tida como certa por boa parte da sociedade. Hoje vivemos na era da mulher moderna, e o título de sexo frágil se mostra cada vez mais ultrapassado e equivocado. Atualmente as mulheres ocupam cargos nas mais diversas esferas, acumulam as mais variadas funções, encaram todo tipo de desafio e representam uma parcela significativa do mercado de trabalho. Tais fatos comprovam toda a força da mulher, mas também vêm incomodando inúmeros integrantes da ala masculina. Muitos ainda insistem em um discurso machista e preconceituoso, que, por longos anos, foi indevidamente disseminado sem nenhum pudor.
Movidos por essa linha tão retrógrada de pensamento, muitos acreditam que o movimento pela moradia deveria ser uma exclusividade dos homens. Afinal, não seria nada adequado às mulheres, consideradas "frágeis", estar entre blocos, cimento, pás e enxadas.

Bom, da minha parte, posso afirmar que, aqui no movimento, as mulheres não só marcam presença, como também dominam o cenário na busca pela moradia, mostrando que de frágil não têm nada. Primeiramente elas se destacam já pela quantidade, o número de mulheres nas reuniões é expressivamente maior do que o de homens. Esse fato gera certa estranheza aos que acreditam que o movimento, por se tratar da construção de casas, deveria ser composto em sua maioria por homens, pensamento que também é uma forma de preconceito, mas que pode ser facilmente esclarecido quando se entende que a luta por moradia é um direito de todos, não devendo ser limitada por questões de gênero, verdade tão bem traduzida pela pluralidade e pelo alcance do nosso movimento social.

As razões por números tão expressivos se dá pelo fato de que, no Brasil, a quantidade de mulheres casadas, solteiras, separadas e viúvas supera a de homens nas mesmas condições, e isso já há quatro décadas. Outro estudo aponta também que as mulheres se tornam independentes e constituem um núcleo familiar de forma muito precoce e, na maioria das vezes, sem uma figura masculina, o que coloca grande parte dessas mulheres também na condição de chefe de família, mesmo que de forma involuntária. Em dez anos, quadruplicou o percentual de mulheres chefes de família – principais responsáveis pelo sustento da casa. O IBGE está deixando de usar o termo "chefe de família" e trocando-o por "pessoa de referência". O significado é o mesmo: pessoa responsável pela maior fonte de renda do núcleo familiar. Devido à ausência de estrutura familiar, o impasse encontrado por essas responsáveis está relacionado à falta de moradia. Por isso, elas veem em programas como o "Minha Casa, Minha Vida" uma solução para esse problema.

Mas as mulheres não se diferenciam apenas pela superioridade numérica, pois números por si sós não dizem nada, mas principalmente pela garra, força e perseverança que as mantêm firmes durante todo o processo de luta, trabalhando no sol ou na chuva, sem se intimidar por nenhum obstáculo e motivadas pelo imenso desejo de conquistar uma moradia. E é essa capacidade de ir em busca de seus direitos e objetivos, sejam eles a casa própria, sejam eles a presidência da República, que me faz afirmar, com toda certeza, que as mulheres são as grandes protagonistas desta era moderna.

Com esses e tantos outros exemplos, elas provam a cada dia que ainda não inventaram algo que não são capazes de realizar. O universo machista precisa entender que toda mulher – independentemente de cor, raça, religião, sexualidade – tem os mesmos direitos na sociedade e, o mais importante na minha opinião, deve ser tratada com respeito e dignidade, algo que infelizmente nem sempre acontece na atual conjuntura em que vivemos.

Desejo que as mulheres deste mosaico cultural que é a nossa pátria floresçam cada dia mais, porém não apenas nos movimentos populares, mas em todos os setores, em todas as esferas; e que continuem provando para a sociedade que esse estigma de fragilidade não foi, não é e nunca será compatível com as mulheres do nosso país.


Emiliano Zapata

Moradia e educação andam lado a lado na luta pelo progresso



No último domingo, 21, em torno de mil e duzentas (1.200) pessoas de diversas comunidades da zona leste de São Paulo compareceu na reunião mensal com líderes do Movimento pela Moradia em São Miguel Paulista (SP) que aconteceu pela manhã.

Padre Ticão e o líder Dalcides Neto pronunciaram-se sobre questões interligadas ao programa, sem deixar de falar de saúde e, principalmente, de educação, que norteou a maior parte das pautas do evento. A reunião tratou também, com antecipação, sobre os marcos e as comemorações de 31 anos do Movimento da Luta da Moradia da Zona Leste, a serem iniciadas no próximo mês de julho.


Dalcides Neto lembrou que presença e solidariedade são aspectos fundamentais de pontuação e que a automatização dos crachás tem sido fundamental para o bom andamento desse controle por parte dos participantes. "Através do site sabemos quem realmente participa de encontros como este, seja da região do Itaim Paulista, Penha, Itaquera, Itaquaquecetuba; estamos acompanhando de perto a presença de todas essas pessoas. Sem luta não há conquista, mas juntos é possível vencermos as dificuldades apresentadas. Precisamos dessa participação", afirmou Neto.

Questões relacionadas às políticas públicas enfaticamente foram pontuadas por ambos e padre Ticão reforçou que os carros- chefe do Movimento são saúde e educação, além de moradia, e que a cultura simples de educação cotidiana – por exemplo, com ações relacionadas à nota fiscal – precisa ser colocada em prática em todos os momentos. "A gente tem que ter o hábito de pedir nota fiscal, pois o dinheiro das políticas públicas vem dos impostos. Precisamos colocar essa ação em prática para aumentarmos os recursos das moradias pretendidos", explicou o padre. "A cultura brasileira pensa que o imposto é só de renda e não é verdade", complementou conscientizando os presentes.

O líder Neto pontuou ainda que a educação está interligada à cultura e as moradias à qualidade de vida. "Queremos, precisamos e vamos entregar a cidadania completa para vocês e, por isso, estamos aqui hoje. Por isso, promovemos essas reuniões. O movimento é livre para vocês e temos que lutar juntos", entusiasmou-se Dalcides Neto.

Por fim, o padre Ticão lembrou que perseverança tem que ser uma característica de todos os presentes para que a luta pelo progresso vire a realidade: a conquista da moradia. E puxou o coro "De Itaim a São Miguel, ninguém mais paga aluguel".

Continue acompanhando mais informações sobre as assembleias.

Projeto Santa Genoveva em Guarulhos atenderá 1104 famílias







Você já conhece os projetos Santa Genoveva I, II e III do Movimento pela Moradia?

Localizado em Guarulhos, em um terreno de 56.000m², o empreendimento "Santa Genoveva" será divido em três (3) condomínios, sendo eles: Santa Genoveva I, II e III.

Os edifícios atenderão 1.104 famílias no total!

O projeto, que já está em andamento com diversas implantações a todo vapor, será igual para todas as famílias, com apartamentos de 49,89m² de área construída e 43,94m² de área útil.

Veja a planta do apartamento do empreendimento Santa Genoveva, apaixone-se e continue lutando pela sua moradia com motivação e perseverança:


Esqueceu o que é preciso para participar do sonho da casa própria?
Acesse este link e saiba agora.


Continue acompanhando as atualizações dos nossos projetos!

Movimento anuncia conquista de 559 novas moradias


De acordo com o líder Dalcides Neto, esta é só a primeira de muitas conquistas que estão por vir 2015.

Julho acaba de começar e os participantes do Movimento pela Moradia Leste II têm muito que comemorar. Isso porque no último sábado (27) uma grande conquista foi anunciada: quatro (4) novas áreas para 559 moradias.

O Movimento estava concorrendo com diversas entidades desde abril e das dez (10) áreas que estavam em xeque, quatro (4) delas foram vitoriosamente conquistadas – o que significa que em torno de 2.000 pessoas serão contempladas em breve.

No domingo (dia 5 de julho), durante nova assembleia, todas as informações serão detalhadamente esclarecidas e o estágio atual é de desenvolvimento dos projetos que atendam ao edital conquistado, em parceria com a Prefeitura de São Paulo para que possam ser encaminhados ao Ministério da Cidade e – assim – aprovados e colocados em prática.

É importante lembrar que a seleção das famílias a serem beneficiadas acontecerá até o mês de setembro e que todos os critérios de seleção, como solidariedade, serão novamente e totalmente considerados para a escolha dos cadastrados no Movimento.


"É uma grande vitória para nós, participantes e todos os envolvidos. Estamos empenhados para que tenhamos boas notícias como essas durante todo o ano".

As informações já estão publicadas no Diário Oficial.


Continue seguindo as atualizações do Movimento




CONSCIÊNCIA DE DIREITOS E EXERCÍCIO DA CIDADANIA NA LUTA PELA MORADIA


A luta pela moradia - Neto e Edvaldo


No ano de 1984, o país foi às ruas para se manifestar pacificamente pedindo eleição direta para presidente. A partir dai, movimentos sociais pela moradia popular foram crescendo e contagiando o país, emergindo no contexto social e político brasileiro com uma capacidade mobilizadora, organizada e criativa. Na cidade de São Paulo, mais precisamente na região da Leste II, multiplicavam-se os movimentos pela moradia, o que apontava no país a progressiva ampliação e diversidade de organizações populares que contavam com o apoio de lideres populares, interlocutores políticos  e da igreja católica.

Na linha de frente desse movimento, aparece Dalcides Neto, que ao longo desses 30 anos de movimento realizou parcerias e alianças, abriu diálogos e negociações com interlocutores políticos e trabalhadores para a concretização das mais de 35 mil moradias conquistadas durante todos esses anos. Outro ponto do movimento que precisa ser destacado, é o fato de que, ao longo dos anos, muitas bandeiras de luta foram agregadas às mobilizações e uma formação das lideranças populares fez com que o movimento fosse além da luta por moradia, abarcando tudo que envolve a cidadania na região.

O líder popular gosta de se referir ao movimento como uma "grande orquestra", que teve momentos no inicio dos anos 80 de muita dificuldade com a resistência do governo Jânio em reconhecer a legitimidade dos movimentos populares e a agressividade com que combatiam as manifestações.

Uma triste memória dentro dessa luta foi a morte do pedreiro Adão Manuel, que acabou sendo baleado e perdendo a vida em um confronto com a Guarda Municipal. Apesar do triste episódio, o ocorrido fez com que todos os movimentos se tornassem ainda mais fortes e unidos diante de todo esse cenário, fazendo com que a vida do integrante do movimento não fosse apenas perdida, mas extremamente relevante para a história do movimento.

Um período importante e cheio de avanços segundo os relatos de Neto, foi a gestão da ex-prefeita Luiza Erundina em 1988, que declarou, logo que assumiu o cargo, que a habitação era o problema mais grave da população de baixa renda. Na época, a demanda habitacional emergente na cidade era calculada em torno 670 mil moradias. A gestão de Erundina colocou a problemática habitacional como prioridade ao apoiar a implantação da habitação de interesse social por mutirão autogerido, o que ajudou a dar mais visibilidade e credibilidade aos movimentos pela moradia.

Outro importante passo, dessa longa caminhada, dado nessa mesma época foi o projeto de lei de iniciativa popular, que criou o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social e o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. Sancio- nado pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 16 de junho de 2005, o projeto criou uma política nacional de moradia que então poderia ser aplicada de forma descentralizada pelos estados e municípios, o que sempre foi um desejo antigo dos movimentos pela moradia.

Dalcides disse gostar muito de uma citação que diz, "O Direito do cidadão é um dever do Estado", e logo em seguida descreve de forma prática e minuciosa a iniciativa nacional do governo federal "Minha Casa, Minha Vida" que atende fa- mílias com renda de 0 a 1.600 reais e, no Estado de São Paulo, tem uma parceria com o programa do governo do estado "Casa Paulista". Ele acredita que em breve também estará alinhado com o "Casa Paulistana", uma iniciativa recém-aprovada da prefeitura de São Paulo, que promete apoio a essa grande mobilização social que é a moradia.

Uma das grande dificuldades nos dias de hoje é a questão do preço das áreas, bem como a escassez de terras viáveis à construção de projetos para a  moradia popular, o que faz dessas parcerias algo determinante e proeminente para execu- ção dos projetos e longevidade do movimento. Em suas considerações finais, fa- zendo um paralelo com a natureza, Neto afirma que na natureza todos os animais têm direito a um abrigo, então, por que com nós, seres humanos, essa questão seria diferente? E vai além dizendo que a "moradia é a roupa da família".

Pergunto por quanto tempo ele pretende continuar nessa luta pela moradia e, sem mesmo eu terminar a frase, ele prontamente responde que, até quando houver pessoas precisando, irá fazer o possível para realizar o sonho da casa própria, mas sempre lembrando que é uma luta, e uma luta consiste em bata- lhas, perdas e ganhos, e quem persiste acaba conquistando independente de qual seja a sua batalha.
E dessa forma não tenho dúvidas que virão mais 30 anos repletos de conquistas, mais histórias e muitas outras vitórias para esse movimento cheio de coragem, luta e ousadia.

Emiliano Zapata